sábado, 5 de janeiro de 2013

DESPOJOS DE DOM ERNESTO DE PAULA NA CATEDRAL

DESPOJOS DE DOM ERNESTO DE PAULA NA CATEDRAL



Claudinei Pollesel

A urna lacrada contendo os despojos do querido e saudoso Dom Ernesto de Paula, primeiro bispo da Diocese de Piracicaba, foi depositada na sepultura, à direita do altar mor da Catedral de Santo Antonio, por ele idealizada e construída, em belíssima cerimônia, no dia 31 de dezembro de 2012. A cerimônia presidida por Mons. Jamil Nassif Abib, Pároco da Catedral e Vigário Geral da Diocese lembrou também os dezoito anos de sua morte, ocorrida na cidade de São Paulo, em 31 de dezembro de 1994, com a veneranda idade de 95 anos.

Em 1994, Dom Ernesto foi sepultado, conforme seu desejo, na cripta da Catedral da Sé, ao lado dos bispos, arcebispos e cardeais da Igreja Paulistana, e de personalidades da história da Brasil, como o Cacique Tibiriçá, pioneiro entre os cristãos convertidos em terras paulistas, e Padre Bartolomeu de Gusmão, o “padre aviador”, e lá permaneceu até esta semana, quando foi transladado para a nossa cidade. Assim, o solo sagrado da Catedral de Santo Antonio acolheu em seu seio seus três primeiros bispos: Dom Ernesto de Paula, Dom Aniger Francisco Maria Melillo e Dom Eduardo Koaik, além do querido Mons. Rosa, pároco da mesma Catedral falecido em fama de santidade. Torna-se assim local de profunda reverência, pois cada um deles em seu tempo procurou cumprir a sua missão, deixando uma legião de admiradores e amigos que ainda hoje isto testemunha.

Discutiu-se no passado sobre esta transladação dos despojos de Dom Ernesto de Paula. O empecilho maior seria um possível documento do bispo pedindo que fosse sepultado em São Paulo e não em Piracicaba. É fácil imaginar que este gesto nada mais foi que uma demonstração de sua larga humildade, típica de sua figura tão nobre e cristã. Nada mais justo e coerente que o idealizador e construtor da Catedral de Santo Antonio recebesse aqui sua definitiva sepultura a fim de que e os fiéis desta Diocese pudessem visitá-la com mais frequência.

Os laços de Dom Ernesto de Paula com a Arquidiocese de São Paulo foram grandes e por isso este seu desejo de ser sepultado na Cripta da Sé foi respeitado. Basta lembrar que ele nasceu, viveu e tornou-se padre em São Paulo. Enquanto Vigário Geral recebeu a nomeação para Jacarezinho/PR, como seu segundo bispo, e depois, transferido para Piracicaba, tornando-se o nosso primeiro bispo. Seus pais, imigrantes italianos, viveram e morreram em São Paulo. Quando renunciou ao governo da Diocese de Piracicaba, em 1960, foi pra São Paulo que Dom Ernesto retornou e lá auxiliou os cardeais Dom Agnello Rossi e Dom Paulo Evaristo Arns, além de tornar-se capelão de uma humilde igrejinha, a Capela de Santa Luzia e do Menino Jesus, no centro da cidade. Permaneceu na Diocese de São Paulo até sua morte, isto é, por mais de 30 anos. Neste período, escreveu dois livros de profundo e inestimável valor histórico: “Reminiscências” e “São Paulo do meu tempo”.

A cidade de Piracicaba prestou algumas homenagens muito bonitas a Dom Ernesto, como a entrega do título de “Cidadão Piracicabano”, a Praça na Rua Quinze de Novembro, atrás da Catedral e uma Rua no Jardim Boa Esperança. A sepultura na Catedral coroa esta sequencia de belas e justas homenagens.

Em São Paulo há também a “Praça Dom Ernesto de Paula” e em São Roque/SP, o “MUSEU HISTÓRICO E PEDAGÓGICO DOM ERNESTO DE PAULA”.

Escolheu como lema episcopal “Omnia per Mariam” (Tudo por meio de Maria). Em Piracicaba criou paróquias, ordenou padres, instalou congregações religiosas, mosteiros e construiu o patrimônio da Diocese recém criada.

Com certeza, o querido bispo, lá do céu, ficou agradecido por este gesto de carinho orquestrado por Dom Fernando Mason, nosso bispo e Mons. Jamil Nassif Abib. Historicamente este gesto era necessário.

(Claudinei Pollesel é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba).