terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mãe







Mãe,






no dia 20 de setembro, dia que a senhora foi pro céu, eu recebi de Deus vários privilégios, mas não percebi a tempo o quanto Ele estava sendo generoso comigo:




* eu estava de folga e pude passar a manhã toda junto com a senhora e com o pai;



* almoçamos juntos e foi pra mim que a senhora preparou o último almoço, com pratos que sabia que eu gosto, arroz, feijão novo, virado de abóbora e salada de batata com ovos;



* fomos na chácara e colhemos amora e uvaia. Com uma canequinha a senhora colheu amoras para eu levar para a Victória.... Enquanto colhíamos estas frutas a senhora disse que queria fazer uma casa na chacara e que eu mudaria para a casa de Saltinho. Eu ri da idéia e disse que no futuro estaríamos todos na chacara, eu, o João e eles, mas cada um em sua casa;



* caminhamos pela chácara em busca de orquídeas floridas. A catleya branca, perto do poço, estava florida e a senhora ficou tão admirada por não ter visto ainda. A senhora comentou comigo sobre uma orquídea marron que não floria e eu a encontrei florida e quase caída da árvore. Este oncydium acabou sendo a última plantinha que a senhora plantou em Saltinho. A amarela tambem estava florida, com dois cachos, e a senhora fez questão de me mostrar.



* na hora de ir embora eu dei um beijo na senhora , recebi sua última benção e fui assim o último filho que a senhora viu e abençoou. Talvez foi assim por ser eu o caçula dos cinco e ter tido mãe por menos tempo que os outros quatro.






Meu Deus, se eu imaginasse que aquele seria o último dia de sua vida, minha mãe, e que eu estava tendo o privilégio de estar juntinho da senhora... eu teria dito que a amava e o quanto a senhora fará falta nas nossas vidas!....



Mesmo assim eu agradeço á Deus pois tudo aconteceu de uma forma simples e santa. Não houve sofrimentos, hospital, agulhas..... nada! Tenho certeza que foi um presente de Nossa Senhora Aparecida, como recompensa pelos terços diários que a senhora rezou a vida inteira.




Mãe, agora que a senhora está juntinho de Deus, peça á Ele que me conceda só mais um privilégio: que em sonho a gente se encontre e a senhora possa me contar como é o céu..... e eu possa dizer o quanto a amo e o que sinto muitas saudades...




Mãe, tudo que aconteceu naquele dia foi emocionante mas quero contar pra senhora algumas coisas que aconteceram e que ficarão na alma de todos nós:




- na hora do sepultamento caiu uma chuvinha fina e fria, como há meses não acontecia, sinal de que sua alma estava chegando no paraíso, como aprendi desde criança;



- na hora que o pedreiro assentava os últimos tijolos que lacrariam a sepultura o pai jogou um beijo com as mãos e disse baixinho: "Descanse em paz!", selando assim 58 anos de casamento;



- que o pai pediu que fosse construida uma capelinha na sepultura para colocar a imagem de Nossa Senhora Aparecida que a senhora tanto gostava e que ouvia suas preces toda noite.




Até um dia, mãe. Sua Benção.