sexta-feira, 10 de outubro de 2008

nossos antepassados



NOSSOS ANTEPASSADOS
Desde o século XVI
Esta árvore genealógica é uma verdadeira preciosidade. Poucas famílias tem este privilégio. São informações de nossos antepassados desde o século XVI até hoje!
Estas informações só existem graças a Dona Amália Taurchini Polesel, esposa de Eddo Polesel, italianos que imigraram para a Venezuela e lá constituíram família e negócios.
Dona Amália, apaixonada por genealogia, incentivou seu sobrinho, Alessando Vaccher, filho de Delia Pollesel, a percorrer igrejas, cemitérios e cartórios de Treviso para resgatar informações que estavam esquecidas há mais de 500 anos.
Meu contato com D. Amália foi através de e-mails. Não tive a oportunidade de conhecê-la e, infelizmente, ela faleceu em 20 de abril de 2006, após longos anos de terrível enfermidade degenerativa.
Tenho por ela grande admiração, pois seu gesto, pioneiro e generoso, incentivou pesquisadores do mundo inteiro.
Pete Polesel, nos Estados Unidos e Renzo Polesel, na Itália, desenvolveram páginas na Internet (http://www.polesel.com/ e http://www.polesel.it/). Outros parentes que vivem na Argentina, EUA, Canadá, França, Itália, Suíça e Austrália conheceram um pouco mais sobre suas origens e deram continuidade a pesquisa, gerando descobertas importantes.
Muito obrigado, Dona Amália! A senhora nos ensinou que a genealogia tem o poder de unir as pessoas...

MARCO
nasceu em Bibano (1) em 1595. Foi casado com Agnola.
Agnola nasceu em 1597 e faleceu em 29 de novembro de 1673, em Bibano.
São pais de:

MATTIO
nasceu em 1633 em Bibano. Foi casado com Maria. Faleceu em 20 de junho de 1698, em Bibano.
Maria nasceu em 1644 e faleceu em 27 de maio de 1698, em Bibano.
São pais de:

GIUSEPPE
nasceu em 1674, em Bibano. Casou-se com Cattarina Gava.
São pais de:

ANGELO (Anzolo)
nasceu em 06 de outubro de 1709 em Bibano. Casou-se com Maria Rosada. Faleceu em 21 de novembro de 1782 (2).
São pais de:

ANDRÉA
nasceu em 22 de agosto de 1734 em Bibano. Casou-se com Adriana Spinatto. Faleceu em 07 de agosto de 1820 (3), em Francenigo (4).
Adriana Spinatto era filha de Donato e nasceu em Bibano.
São pais de:

GIÁCOMO
nasceu provavelmente em 1759, em Francenigo. Casou-se com Maria Poletto, que era filha de Lorenzo Poletto.
São pais de:



GIUSEPPE
nasceu em 06 de janeiro de 1793 em Francenigo (5). Casou com Giovanna Furlanetto, filha de Antonio Furlanetto.
São pais de:

PIETRO
nasceu em 06 de março de 1831 em Francenigo (6) . Casou-se com Catterina Covre, nascida em 6 de setembro de 1834 em Brugnera.
São pais de Dommenico, Maria, Fortunato e Itália.
1. distrito pertencente ao município de Godega di Sant’Urbano/TV
2. Addi 22 Novembre 1782 – Ângelo Pollesello d’anni 73 circa di questa Pieve ricevette li Santissimi Sagramenti
Della Confessione, comunione ed oglio Santo e tutto il rimanente, spiró nel Signore doppo le ore sei della decorsa notte, e questa será il Suo Cadavere com le solite esequie é stato seppellito in questo cemitero accompagnato da me Parroco Soprascritto.
(Daí libri dei morti della Parrochia di San Tiziano in Francenigo di Gaiarine/TV
3. 7 agosto 1820 – André di Ângelo e Maria Rosada, di anni 88, cattolico, villico, nato in Biban e domiciliato in Francenigo, in casa sua ....
(Daí libri dei morti della Parrochia di San Tiziano in Francenigo di Gaiarine/TV)
4. distrito pertencente ao município de Gaiarine/TV
5. 6 gennaio 1793 – Giuseppe di Giacomo di Andréa Polesello, e di Maria di Lorenzo Poletto ambi di Francenigo, nacque li 4 corrente alle ore 17 circa ...”
( Dal libro dei Battezzati 1731 – 1783 della Parrochia di San Tiziano a Francenigo di Gaiarine/TV)
6. Addi 7 marzo 1831 - Pietro di Giuseppe di Giacomo Pollesel, e di Giovanna di Antonio Furlanetto jugali nato
Ieri alle ore 2 antemeridiane fu battezzato da me Don Antonio Bevilacqua Arciprete. Madrina al Sacro Fonte Maria di Antonio Furlanetto di Maron. Levatrice Ângela Pollesel di Francenigo.
( Dal libro dei Battezzati 1731 – 1783 della Parrochia di San Tiziano a Francenigo di Gaiarine/TV).


FORTUNATO

Nasceu em Francenigo, distrito de Gaiarine, província de Treviso, região Veneto, no norte da Itália, no dia 03 de julho de 1870. Quarto filho de Pietro e Caterrina Covre. Eram seus irmãos: Dommenico, nascido em 13 de fevereiro de 1859; Maria, nascida em 14 de maio de 1861 e Itália, nascida em 21 de julho de 1866.
Foi soldado da Cavalaria Italiana durante quatro anos, sendo que após sua dispensa, casou-se com Regina Gobbo, em 29 de novembro de 1894. Regina nasceu em Francenigo no dia 03 de junho de 1872 e era filha de Giovanni Gobbo e Teresa Maria Biasotto. Ainda em Francenigo tiveram os dois primeiros filhos: Giovanni e Elisabetta. Imigraram para o Brasil a bordo do vapor Manilla, sendo o embarque no porto de Genova em 10 de outubro de 1897 e o desembarque no porto de Santos em 30 de outubro de 1897.
Após a passagem obrigatória pela Hospedaria dos Imigrantes, em São Paulo, foram contratados pelo Barão de Ibitinga para trabalharem em sua fazenda de café, no município de Itatiba.
Em Itatiba nasceram os filhos Catarina (1898), Benedita Bárbara (1899), Romão Domingos (1901), José (1903) e Victorio (1905).
Em 1905 mudaram-se para Morungaba/SP, no bairro do Bromado, onde faleceu Romão Domingos e, finalmente, em 1907, mudaram-se para Campinas/SP, onde nasceram Romão (1907), Antonio (1910), Jorge (1912), Irineu (1914) e Nello (1916).
Fortunato tornou-se empreiteiro de café e lenha.
Regina faleceu em 01 de junho de 1923, na fazenda Pau d’Alho e Fortunato em 12 de dezembro de 1930, na fazenda Pau Grande, ambos em Campinas/SP.
A morte de Fortunato foi trágica. Seu suicídio foi cercado de mistérios, dores e constrangimentos. Algumas informações se perderam ou foram “esquecidas” pelos filhos e outros contemporâneos.
Em 1999, pesquisando nos arquivos dos jornais “Diário do Povo” e “Correio Popular”, de Campinas, fui surpreendido com três matérias publicadas no dia seguinte de sua morte, isto é, 13 de dezembro de 1930. Estas matérias resgatam um pouco desta história:

1. CORREIO POPULAR – Sábado, 13 de DEZEMBRO de 1930

SUICIDOU-SE DESFECHANDO UM TIRO NA CABEÇA
Um sexagenário, não resistindo ao pesar que lhe minava o coração, põe termo á vida, dando um tiro na cabeça. É este o faceto principal que nos oferece hoje o cadastro policial.
Fortunato Polezel, de nacionalidade italiana, viúvo e com 64 ambos de idade, é o protagonista da triste ocorrência.
Possue elle um lenheiro na fazenda Pau Grande, de propriedade de Antonio Cury, distante 7 kilometros, do bairro do Taquaral.
Segundo está ficando esclarecido esclarecido, esteve Fortunato, ha dias, em Campinas, tendo trazido quantia superior a três contos de réis.
Ou por ter perdido o dinheiro ou por ter sido roubado na “farra”, que aqui se meteu, o facto é que quando retornou á casa, não tinha mais nickel.
Essa circunstância, que esta sendo devidamente apurada no inquérito, contribuiu para o fatal desenlace, pois desde então tornou-se Fortunato bastante acabrunhado.
Para aumentar-lhe o aborrecimento, recebeu elle tambem uma carta de um filho, na qual, em termos incisivos, era-lhe feita uma censura pelo seu proceder ultimamente incorrecto.
Extremamente desesperado, terça-feira, Fortunato já pretendeu levar avante a malfadada idéa de suicidar-se, no qual foi impedido pelo seu filho Rmão.
Desgraçadamente, achava-se o desditoso sexagenario imbuído por taes pensamentos e, hontem, ás 10 horas e 30 minuttos, cometteu o suicidio.
Prevalecendo-se da ausencia de todos, lançou mão de um revolver e defechou um tiro na região frontal parietal direita.
Poucos minutos mais teve de vida.
Scientifficada do facto a policia, rumou para o local o dr. Cesar G. D'Elia, delegado regional, acompanhado do sub-delegado Adrião Monteiro, do escrevente Alvaro Villagelim e do dr. Pagano Brundo, médico-legista.
Como “causa mortis” foi constatado hemorragia cerebral.
Nos bolsos do cadáver foi encontrada uma carta aos seus, de despedida, em a qual affirma haver desapparecido de seus bolsos, quando numa “farra” da cidade, certa quantia em dinheiro. Aborrecido pelo que lhe acontecera e pela censura do filho suicidava-se.
Foi instaurado inquérito policial á respeito.

PREDISPOSIÇÃO AO SUICIDIO

Muito embora hajam, de facto, as circunstancias acima como causadoras do tresloucado gesto de Fortunato Polezel, não se poderá afastar do terreno das cogitações a hyphothese de ser elle um predisposto ao suicidio. Pelo menos, depois que se viu viúvo. Pois desde então mostrou-se outro: deu de beber e tornou-se acabrunhado.
A corroborar tal supposição, existe uma carta de Fortunato, data de 1925, em que ja fala elle em suicidio. Eill-a depisda de alguns erros:

“Fazenda Pau d'Alho, 25-2-1925
Minha queridas filhas e filhos
Vendo-me muito triste e incapaz de me conformar com a dolorosa e inesquecivel morte de minha boa mulher, vossa mãe, vou vos deixar estas minhas poucas linhas para guardarem e respeitarem como uma lembrança eterna deste seu amargurado e afflicto pae.
Voces não poderão imaginar com quanta tristeza hoje peguei nesta penna para vos fazer esta declaração.
Enfim peço-vos todo perdão e creio que nenhum de voces deixará de fazer tudo quanto eu pedir nesta ultima minha folha.
Em primeiro logar, não quero que gastem absolutamente nada com o meu enterro.
Somente quero e pretendo ser posto junto ao sepulchro da minha falecida mulher. Isso não custa absolutamente nada porque temos direito.
Peço tambem estimaren-se bastante entre vós.
Além disso tudo, o que mais desejo é que a minha alma possa encontrar no céo a de sua mãe. Junto a ella pedirei a Deus por voces todos.
Nada mais tenho a dizer.
Acceitem o meu ultimo adeus e a minha bençam e assigno-me o seu afflicto pae
Fortunato Polezel.”

Essa carta, reveladora das boas qualidades de Fortunato, poz, na occasião, a família em desespero.
No entanto a sua intenção pode ser contida pelos seus filhos, que não permitiram a sua execução e o confortaram.
Não se conseguiu, porém, destruir essa intenção e sim apenas prorrogá-la.”


2. DIÁRIO DO POVO – Sabado, 13 de dezembro de 1930

Não teve coragem de enfrentar a vida.
Um sexagenário suicida-se desfechando um tiro de revolver na cabeça – Antecedentes.

Hontem, ás 10.30 horas, na Fazenda Pau Grande, suicidou-se, desfechando um tiro de revolver na região fronto parietal direita. Fortunato Polezel, de 60 annos de idade, italiano.
Segundo declarações prestadas pela própria família da victima, esse senhor apesar de avançada idade, era dado a orgias, gastando grossas quantias na farra.
Ante-hontem, ou traz-ante-hontem esteve Fortunato nesta cidade, tendo gasto em uma casa de tolerância, durante á noite, cerca de 3:000$000, só regressando á casa quando já de madrugada.
Dormiu pouco, levantando mais tarde, ainda sobre os terríveis efeitos do álcool.
Accendeu duas vellas e tirando da cintura um revolver tentou contra a existencia, não tendo levado a effeito, nessa ocasião, esse tragico gesto, devido a intervenção de um seu filho, de nome Romão, que ágil, logrou desarmar o seu progenitor.
No prédio no. 1315 da rua Dr. Moraes Salles, nesta cidade, reside um outro filho do suicida, de nome João Polezel, que sabedor do facto, escreveu uma carta a Fortunato, censurando a maneira com que se conduzia seu pae, aconselhando-o a mudar de vida, para respeito de seu nome e da sua família.
Recebendo a carta, Fortunato Polezel ficou contrariadíssimo, tal o seu aborrecimento.
Hontem , sem ser presentido por pessoa alguma de seua família, na varanda do prédio em que reside, na fazenda Pau Grande, deu cabo da vida da maneira que relatamos acima.
Pessoas de sua família communicaram o facto á polícia, comparecendo ao local o sub-delegado Adrião Monteiro, acompanhado do escrevente Alvaro Villagellim e do legista dr. José Pagando Brundo, que examinou o cadaver do desatinado.
O corpo de Fortunato Polezel veiu removido para esta cidade, sendo recolhido no predio no. 1.315 da rua Dr. Moraes Salles, de onde sahirá o enterro, hoje.
O inquérito instaurado na Polícia Central proseguirá hoje, naquella repartição.

3. DIÁRIO DO POVO – Sabado, 13 de dezembro de 1930

FORTUNATO – Faleceu hontem, ás 10 horas e 30, em a fazenda Pau Grande, o sr. Fortunato Polezel,antigo e conceituado empreiteiro de plantação de café. Contava o falecido 60 annos de edade, era viuvo de Regina Gobbo Polezel e de cujo consórcio deixa os seguintes filhos: srs. João Polezel, casado com d. Magdalena Polezel; d. Eliza Polezel, casada com o sr. Deolindo José de Araujo; d. Catarina Polezel, casada com o sr. José Brenelli;d. Benedita Polezel casada com o sr. Ezequiel Silveira; José Polezel, casado com d. Anna Citron; Victório Polezel, casado com d. Conceição Veniti; Romano Polezel, casado com d. Maria Mancini, e os jovens: Antonio, Jorge , Irineo e Nello. O enterro realisa-se hoje ás 14 horas, sahindo o feretro do predio 1315 da rua dr. Moraes Salles, para o cemitério da Saudade.

Irmã Angela Polesel



Todo pesquisador iniciante de Genealogia tem um desejo secreto: descobrir ancestrais ilustres. Comigo não foi diferente. Acabei satisfazendo este feito, mas ao invés de um nobre, de um conquistador ou de um bárbaro cheio de ouro e prata, a minha heroína foi uma mulher humilde, bastante frágil em sua aparência física.
Não acumulou riquezas, títulos ou conquistas. Nem mesmo filhos seus. Optou pela vida religiosa e consagrou-se na pobreza, castidade e obediência no Instituto das Irmãs do Santo Nome de Deus, onde ingressou com apenas 16 anos. Morreu de malária com apenas 40 anos.

A heroína a quem dedico este livro e toda a minha pesquisa genealógica é a missionária italiana Angela Polesel.

Ela nasceu em Treviso em 1o. de setembro de 1935, numa família pobre. Ao terminar a 4ª. série da escola elementar, foi mandada pelos pais como babá para junto de uma família amiga. Eram tempos de pós-guerra, muito difíceis para todos e sacrifícios eram necessários.
Com 14 anos, uma tia freira a leva para Porcari , província de Lucca, para estudar no Colégio dos Padres Cavanis. Este fato foi fundamental em sua vida, pois dois anos depois, com 16 anos, ingressou no noviciado das Irmãs Cavanis, as religiosas do Santo Nome. Fez a profissão perpétua com apenas 23 anos.
Em 10 de julho de 1972, já com 37 anos, se oferece para a missão na Guiné, antiga colônia portuguesa na África. É destinada à Missão de Bubaque, capital dos Bijagos.
Entre o povo Bijago, exprime o melhor de si. São mais duas religiosas nesta missão: Irmã Augusta Fedel e Irmã Maria Teresa Gargani. Imersa em uma natureza quase intacta, viveu a vida ainda mais simples e baseada somente no essencial. Aprendeu a viver da natureza. Muitas vezes faltou até mesmo a comida e, assim, teve de aprender a caçar e cozinhar animais de pequenos e médios portes, vencendo a resistência natural para alimentar-se, inclusive de carne de macaco, tão distante de seus hábitos europeus.
Mas os planos de Deus eram outros. Apenas três anos após sua chegada na missão, em fevereiro de 1975, um ataque de malária obriga-a a ficar em casa. Recupera-se rápido e dois dias depois está de volta ao trabalho. Entretanto, na tarde de 11 de março, voltou à febre. Tomou os medicamentos para a malária e foi assistida pelas Irmãs. Recebeu, também, a visita da enfermeira do posto. Seu caso não parecia ser grave, tanto que ela disse: “Amanhã me levanto!”.
Ao contrário dessa previsão, no sábado de manhã, 15 de março de 1975, na hora do Ângelus, sua bela alma retornou à casa do Pai.

“Estava madura para o Reino dos céus. Presidiu aos funerais o prefeito Apostólico, Mons. Amandio Domingues Neto, que utilizou seu avião Rallye para ir a Suzana buscar as Irmãs do Instituto, e de Bissau levou ainda os padres do PIME. Desta forma quis Deus exaltar a humildade de sua pessoa e pôr em relevo as suas virtudes cristãs e religiosas”. (1)

“... uma pequena freira que deu a vida pela Guine Bissau. ... é a primeira freira italiana a morrer em Guiné e foi sepultada no pequeno e pobre cemitério das ilhas bijagos.” (2)

“... ao lado dos padres do PIME não podemos esquecer as irmãs do Santo Nome de Deus – e de maneira especial a irmã Ângela Polesel que faleceu em Bubaque em 1975 e que está sepultada no pequeno cemitério de Bubaque...” (3)


A sua memória ainda é presente entre o povo Bijagos, que ela tanto amou. Em 2000, quando foram completados 25 anos de sua morte, sua memória foi ricamente celebrada dentro de uma Semana Vocacional e Missionária, como escreve o Padre Marcio, da Paróquia Imaculada Conceição:

“... este é um sinal de como o Senhor faz sempre frutificar as sementes do bem que espalha através de seus servos bons e fiéis”.


...”envio algumas informações a respeito da Ir. Angela Polesel das Irmãs do Instituto do Santo Nome Deus. Como vê, tomei tais informações dos livros do Pe. Rema e Pe. Gheddo. Na Guiné Bissau, talvez alguns missionários pudessem dizer algo mais sobre ela. Posso ainda perguntar. No entanto, a coisa melhor seria contatar a Irmã Adélia Toffolo que está em Pérola do Oeste, PR. As irmãs Maria e Rosa já faleceram. Uma das que estavam em Bubaque, a Maria Teresa Gargani deveria estar em Castro, PR .Conheço as 03 de Suzana desde 1985 quando cheguei na Guiné Bissau. Tive a graça de estar com elas, em Suzana, de janeiro de 1993 quando de lá saíram. Conheci Irmã Teresa em Castro .Claudinei, eu gostaria de conhecer o resultado da sua pesquisa. Se for necessário ainda alguma ajuda, estou disposto a colaborar.”
Dom Pedro Zilli – bispo brasileiro em Guiné Bissau


...”Recebemos o seu e-mail com o pedido de informações sobre a vida de Irmã Angela Polesel. Eu Ir.Augusta Fedel, fiz parte da Comunidade de Bubaque, na África a qual pertencia a Ir. Angela e Ir. Maria Teresa Gargani.
Naquela missão, trabalhou incansavelmente por três anos, desde 10 de julho de 1972 até o dia 15 de março de 1975. Não mediu esforços para ajudar os irmãos Bijagos que tanto precisavam dela.Foi boa missionária no verdadeiro sentido da palavra, esquecendo-se para que o anuncio do Reino de Deus, falasse mais alto com o seu testemunho. Quando faleceu, o povo dizia a uma só voz que Irmã Angela era para sempre o Anjo do povo Bijagos, a tribo deles. Ela dizia que queria ficar para sempre com esta tribo e Deus atendeu o seu pedido, do céu ela está sempre intercedendo por eles e para todos aqueles que à amavam.
Estou sempre a disposição se precisar.”
Irmã Augusta Fedel – Instituto das Irmãs do Santo Nome de Deus


“Prezado Claudinei,
com muito interesse recebi o teu e-mail. Tentarei dizer algo sobre ir. Ângela. Lembro dela quando eu cheguei também em Porcari para uma experiência vocacional,ela era já irmã. Uma irmã simples, humilde, generosa, disponível, com espírito de sacrifício e oração. Eu a admirava muito. Mais tarde em 1961, fomos destinadas em uma cresce e passamos juntas um ano. Lá mais descobri nela retidão consciência, uma firmeza inabalável e delicadeza e atenção para com as irmãs, crianças e o povo.
Quando as três irmãs chegaram na Guiné Bissau, foi pedido para eu representar nossa presença na chegada delas . Eram tempos difíceis, tempo de guerrilha. Nós em Suzana e elas em Bubaque; as duas extremidades do País. Único meio era o avião militar até Bissau, para nós; de Bissau para ilhas de Bijagos era o Barco de difícil acesso e perigo do oceano. Nos podemos encontrar uma só vez,quando nós, as irmãs de Suzana, fomos visitá-las.
Ela dava o melhor que tinha para aquele povo tão necessitado de Deus verdadeiro e junto com as irmãs começou trabalhar na promoção humana, com as mulheres e as jovens. Eu sempre vi nela uma grande forca de vontade, uma doação cada vez mais entregue ao Senhor ao Qual tinha consagrado sua vida sem reservas.
Ela não estava muito boa, mas o seu desejo era se entregar total ao Senhor pelo Reino. Não media esforço, esquecendo-se de si.
Em janeiro deste ano, tive a oportunidade de passar por lá. Ainda agora o povo lembra dela e rezam para receberem ajuda. Diziam: as irmãs foram embora, mas nós temos aqui conosco imã Ângela a qual nos faz lembrar todo bem que as irmãs fizeram para nós.
No cemitério simples, ela está lá como lembrança e testemunho de vida. Já nasceram algumas vocações a vida religiosa e sacerdotal e com certeza o seu exemplo, acredito, pode ter sido como semente lançada na terra, para produzir frutos,é também meta de tantas pessoas do povo que não podem esquecer o bem dela recebido.
“Para realizar as obras de Deus precisa humildade, confiança e fortaleza”.
(Frase dos veneráveis Fundadores PP.Antonio e Marcos Cavanis)
Irmã Adélia Toffolo
Pia Sociedade do S. Nome de Deus (Irmãs Cavanis)

sexta-feira, 7 de março de 2008

Antonina Gobbo Della Valentina

(foto de Antonia Gobbo Della Valentina, resgatada graças á pesquisa incansável de seu bisneto Luiz Carlos Della Valentina, da cidade de Umuarama/PR.)

As refeições não eram grande coisa , mas para muitos daqueles imigrantes era melhor que em casa. Eram servidas duas vezes ao dia com sopa, um pedaço de carne, um pouco de vinho e pão. Como o pão era o único alimento servido á vontade, Regina precavia-se em guardar alguns para matara fome que vinha fora de hora. Existia um racionamento de alimentos tanto que, cada chefe de família, ao embarcar recebia uma listinha de alimentos e bebidas que teriam direito durante a viagem.
Já estamos no décimo dia da viagem e Regina sentia-se feliz e bem integrada á nova rotina. Não sentia mais enjôos e dores de estomago. A maior dificuldade ainda era acostumar-se com a água. Era turva e ficava guardada em um caixão de chumbo. Era impregnada deste metal. Não se bebia em copos, mas com canudinhos de chumbo, o que a tornava mais repugnante ainda. Regina e as outras mães, preocupadas com as crianças, usavam um lenço como filtro.
Apesar desta dificuldade com a água, eles estavam felizes e robustos, talvez devido ao descanso e ao ar salino. E o melhor é que estavam cheios de esperança, na certeza de que tinham feito a opção certa.
Todas as tardes, após a sesta , subiam ao convés onde havia muitas brincadeiras para as crianças, jogos de baralho para os homens e as mulheres aproveitavam para tomar um pouco de sol. Enquanto isso faziam crochê, tricô, bordados, batiam longos papos e se extasiavam com a vista magnífica do oceano atlântico.
Nesta tarde Regina sentou-se ao lado de Verônica Deliberalli, esposa de Pietro, que fora antiga vizinha de seus pais, em Francenigo. Esta jovem senhora conhecia bem toda a família de Regina; seus pais, Giovanni e Teresa e principalmente sua irmã Antonina. Verônica quis saber detalhes da trágica história de Antonina, que mais parecia coisa de livro.
Regina contou de bom grado, pois seria bom relembrar pedaços de tudo que havia acontecido há três anos atrás: Antonia, ou Antonina como a família a chamava, estava noiva, há 5 anos, de um oficial do Regimento da Cavalaria Italiana, como Fortunato, seu marido também o fora. Assim que recebeu baixa na cavalaria acertaram a data do casamento e deram início aos preparativos. Na semana do casamento o noivo começa a passar muito mal, com febres altíssimas, e ele acaba morrendo na quinta-feira anterior ao casamento, que seria no sábado! Antonia fica em desespero, pois todos os seus sonhos de felicidade ao lado do noivo vão por terra. E a ironia maior é que da janela de seu quarto avista o túmulo do noivo. Ela consumia-se em dor e melancolia a ponto de seus pais temerem o pior, até mesmo o suicídio. A única certeza comum a todos é que somente uma grande mudança poderia faze-la reagir aquela situação insólita. E foi baseado nesta certeza que todos a incentivaram a aceitar a proposta de casamento que recebeu após seis meses de luto. O pretendente era Luigi Della Valentina, antigo conhecido da família, que ficara viúva recentemente, com dois filhos pequenos. Luigi estava bastante desgostoso e queria emigrar para o Brasil logo após o casamento com Antonina. Casam-se em maio de 1894, na Igreja Matriz de São Tiziano, em Francenigo e no dia 01 de agosto do mesmo ano já estavam desembarcando em Santos. A travessia foi feita no vapor “Caffaro”. Estabeleceram-se em Itatiba, numa fazenda de café. Nesta cidade nasceram os dois primeiros filhos do casal, Nazareno em 1895 e Joaquim em 1896, que se juntaram aos dois do primeiro casamento de Luigi, Sante e Enrico.
E pra finalizar o longo papo, Regina ajeita os últimos pontos do bordado e conta para Verônica que é pra Itatiba que eles estão indo. Luigi convidou Fortunato para trabalharem numa imensa fazenda de café, de propriedade do Barão de Ibitinga e Fortunato sem nunca ter sido agricultor aceitou de imediato”. A possibilidade de rever sua única irmã, após três anos de separação, a deixava feliz.

Cavalaria


Cavalaria

Esta já era a segunda noite que Fortunato não conseguia pegar no sono. Sentia o estomago revirando e a cabeça doía. Caminhava pelas dependências da terceira classe e espiava o mar revolto pela escotilha. Tentava organizar os pensamentos e as lembranças, mas tudo estava muito confuso em sua mente castigada pela insônia. Mas um pensamento era recorrente, a cavalaria. Foram quatro longos anos cuidando das armas, do uniforme que tinha que estar impecável, das montarias e da disciplina rígida. Via com nitidez, em suas lembranças, o cartaz afixado na porta principal da Igreja de São Tiziano, em Francenigo, convocando os jovens nascidos em 1870 para se apresentarem no serviço militar obrigatório. Era o ano de 1888 e Fortunato mal completara 18 anos. No dia e hora determinado apresentou-se e foi relacionado na “lista de leva” (1). Ele e outros dois jovens camponeses foram escolhidos por sorteio para se apresentarem á seleção médica, no mês seguinte, em Treviso.
O exame foi humilhante. Foram obrigados a despirem-se publicamente sob a guarda de carabineiros armados, em pleno inverno. Foram observados em todos os detalhes, como animais em exposição. Estendiam os braços para traz, para frente e para o alto e ainda, mediram seus tórax. A ansiedade era grande e no final do exame Fortunato ouviu a tão temida sentença: hábil para o serviço militar.
De volta á Francenigo para despedir-se da família e pegar uma trouxa de roupas, encontrou seus pais, Pietro e Caterina, arrasados com a notícia, pois a partir daquele dia não poderiam contar com sua ajuda no cultivo da lavoura. Domenico, o irmão mais velho, revoltou-se com a idéia da sobrecarga de tarefas e nem ao menos quis despedir-se do irmão caçula.
Mas não era possível fazer nada. Fortunato estava recrutado para o Regimento Italiano de Cavalaria e teria que obedecer, sob pena de prisão.
Ele estava resignado, pois a vida no campo não lhe agradava, mas sentia por Regina, sua namorada desde a infância. Os planos de casamento teriam que esperar, pois o alistamento poderia demorar até sete anos. Ela tentou parecer forte e encheu o noivo de palavras animadoras, apesar da decepção que esta convocação causara.
O quartel da cavalaria era em Veneza. E o dia a dia era de afazeres leves, se comparados com a vida no campo. A comida era pouca em vista do costume veneto de matar a fome com muita polenta, mas pelo menos, era limpa e saborosa. Os recrutas burgueses recebiam dinheiro e alimentos de suas famílias, mas os camponeses pobres, como Fortunato ficavam entregues á próprias sorte. Ele não recebia qualquer ajuda de sua família. Mas contava com a ajuda regular de Regina. Ela confeccionava toalhas em crochê e bordados em ponto cruz, que vendia e enviava o saldo destas vendas ao noivo militar. Era pouco dinheiro, mas somado ao pequeno soldo que ele recebia, tornava-se suficiente até para pequenos luxos: o jornal aos domingos, o tabaco de mastigar e, raramente, um copo de vinho, na cantina ao lado do porto.
Fortunato preferia esquecer das punições injustas e das reprimendas recheadas de insultos que sofreu no quartel e pensar que o serviço militar teve seu lado positivo. Neste período ele tornou-se leitor freqüente dos jornais, freqüentava a biblioteca da cidade e seu vocabulário em italiano enriqueceu bastante, pois em casa somente utilizava o dialeto veneto. A convivência com jovens de outras regiões da Itália fez com que sua cultura e visão de mundo, ampliassem. Descobriu novos e variados hábitos de vida, pois Veneza estava á beira mar e recebia pessoas do mundo todo, por ser a capital regional.
No final das contas sentia muito orgulho dos quatro anos passados na Cavalaria. Além do mais ele aprendera o ofício de alfaiate, que o livrou definitivamente da lida no campo.
Tantas lembranças trouxeram o sono e Fortunato foi para a cabine onde Regina e as crianças dormiam embalados pelo mar. Já era madrugada e logo amanheceria. Olhando para sua pequena família era impossível não pensar no maldito duelo com aquele sargento desprezível, mas tinha que dormir. Esta história teria que ficar para outro dia.

(1) relação dos jovens que se alistavam para o serviço militar.