A DEVOÇÃO AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA NA HISTÓRIA DE PIRACICABA

Frei Luiz Maria de São Tiago












Pe. João de Ecehevarria Torre










A devoção ao Imaculado Coração de Maria na história de Piracicaba


A devoção ao Coração de Maria nasceu junto com a devoção ao Coração de Jesus na Europa do sec. XIX. Com as aparições de Nossa Senhora em Fátima, em 1917, atinge seu auge e propaga-se pelo mundo todo. Atualmente os “Arautos do Evangelho”, associação religiosa nascida no Brasil, é a grande responsável pela propagação ao Imaculado Coração.
Os piracicabanos conheceram esta devoção mariana em 1899, com a chegada do missionário italiano, frei Luiz Maria de São Tiago. Frei Luiz fez parte do primeiro grupo de franciscanos capuchinhos que fundaram aqui a Igreja do Coração de Jesus, a Igreja dos Frades, além do Seminário Seráfico São Fidélis.
Este grupo de religiosos vieram incumbidos pela congregação de fundar aqui uma Província Franciscana e, pelo Papa Leão XIII, de propagar a devoção ao Coração de Jesus. Frei Luiz Maria de São Tiago, paralela á estas obrigações, tinha também o propósito íntimo de propagar a devoção ao Imaculado Coração de Maria, sua devoção particular, tanto que trouxe de Roma estampas e imagens com esta invocação. A história registra que estas primeiras imagens foram compradas pelo frei numa lojinha do Vaticano logo após o término da audiência com o Papa.
Levou este propósito adiante, de forma admirável, pois em pouco tempo contagiou a comunidade católica de Piracicaba com esta bela devoção. Aqui instituiu a devoção dos primeiros sábados e propagou a entronização da imagem do Coração de Maria nos lares; fundou a Pia União do Coração de Maria; o Lar Escola Coração de Maria, nossa Mãe, que depois viria a ser o berço da Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria, da qual é seu co-fundador e consagrou a cidade de Piracicaba ao Coração de Maria em 25 de março de 1893.
Esta consagração da cidade foi renovada em 25 de agosto de 1928 com a presença de Dom Francisco de Campos Barreto, bispo diocesano de Campinas. E em 1942 a humanidade toda foi consagrada pelo Papa Pio XII ao Coração de Maria, em plena 2ª. Guerra mundial.
Todas estas ações firmaram a devoção nos corações piracicabanos, transformando e animando a comunidade católica.
A passagem de Frei Luiz por aqui foi curta, pois em 1902 volta para Itália e lá faleceu com apenas 48 anos.
Na década de 30 o sr. João Nardin, filho de imigrantes austríacos, provavelmente ainda contagiado pelas pregações de Frei Luiz, com quem conviveu quando este aqui esteve, constrói a Capela do Coração de Maria, na Paulicéia, então periferia distante do centro da cidade. O gesto ajuda a manter a devoção viva, além de proporcionar ao povo pobre do bairro distante o privilégio de se ter uma capela para suas rezas, celebrações e reuniões do bairro. Carinhosamente chamada de “Capélinha”, pertencia á Paróquia da Catedral e tornou-se Paróquia em 1953, por determinação de Dom Ernesto de Paula, primeiro bispo de Piracicaba. Seu primeiro pároco foi o Pe. Oscar Ferraz do Amaral.


Neste mesmo ano de 1953, a Diocese de Piracicaba acolhe em seu clero o Pe. João de Echevarria Torre, missionário espanhol, que chegou no Brasil em 1919 e desde então propagou a devoção ao Coração de Maria em várias cidades de São Paulo, pois pertencia á Congregação Claretiana, também chamados “ Missionários filhos do Imaculado Coração de Maria”.
Por coincidência ou providencia divina, D. Ernesto destina o Pe. João de Echevarria á recém-criada Paróquia do Imaculado Coração de Maria, com a incumbência de transformar a capelinha num Santuário á altura da devoção mariana. No mesmo ano de sua posse, 1956, constrói a casa paroquial e no ano seguinte inicia a construção da Nova Matriz. Serão 20 anos de presença a atuação marcante do Pe. João na Paulicéia, que transformará o bairro e a vida dos paroquianos.
Pe. João sente-se em casa, pois encontra na Paulicéia o terreno fértil para seu trabalho pastoral e lá permanece até sua morte em 1975. Além do papel de Pároco foi também um líder da comunidade que buscou melhorias para aquela periferia distante e esquecida das autoridades.
Orientava sobre questões de higiene e saúde e utiliza os seus dons de radiestesista para amenizar os males do corpo . Ecumênico , quando ainda nem se falava neste termo, atendia á todos, mesmo os de outras religiões e seitas.
Para defender a moral dos seus paroquianos contra a presença da zona de meretrício no bairro da Paulicéia, foi ao governador do Estado, na época Jânio Quadros e depois Carvalho Pinto, protestar e exigir providencias. Ainda em vida e mesmo agora, após quase 40 anos de sua morte, é lembrado com fama de santidade e amor ao próximo. Era movido pelo amor ao Imaculado Coração de Maria e transparecia este ardor mariano á todo que dele se aproximavam. Era chamado de “Pe. João da Paulicéia”, e “Pe. João do Coração de Maria”. Títulos carinhosos que o enchiam de alegria.
Construiu a nova Matriz, de tamanho majestoso, maior até que a própria Catedral de Santo Antonio, confiando e apelando à Maria, sempre. Construiu nos corações dos piracicabanos verdadeiros templos de amor á Nossa Senhora, na invocação do Imaculado Coração. Quando passava por dificuldades na construção da nova Matriz, que foram inúmeras, por incompreensões, calúnias e desaforos ou por qualquer outro perigo era ao Coração de Maria que solicitava auxilio, e desabafava, como deixou registrado em várias passagens do livro tombo da paróquia.
Aconselhava á todos que o procuravam para que pedissem tudo através de Maria e do seu Imaculado Coração e que Jesus não negaria tais pedidos feitos através de sua Mãe.
Pe. João de Echevarria faleceu em 1975 e está sepultado no Parque da Ressurreição, na cripta da capela e ainda hoje, quase 40 anos de sua morte, mantém a fama de santidade e amor ao Imaculado Coração. Seu epitáfio diz: “... mais do que um templo, construiu nos corações, templos de Deus, como verdadeiro e santo sacerdote”.
Os piracicabanos tiveram na figura destes dois missionários, Frei Luiz Maria de São Tiago e Pe. João de Echevarria, os primeiros e verdadeiros apóstolos da propagação á devoção ao Imaculado Coração de Maria. Suas obras maiores, a Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria e a Matriz do Imaculado Coração de Maria, da Paulicéia são testemunhos do amor que os impulsionava e da devoção viva e sincera ao coração da Mãe de Deus.

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