quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A SEPULTURA DE DOM EDUARDO KOAIK

A SEPULTURA DE DOM EDUARDO KOAIK


Claudinei Pollesel

“D. Eduardo Koaik foi sepultado na cripta da Catedral de Santo Antonio, de Piracicaba/SP.” Assim é noticiado pelos meios de comunicação sobre o local do sepultamento do nosso querido bispo e pastor amado. Mas, mesmo em momentos tristes e de profunda reflexão, é possível colocar uma pitada de história, como tempero da notícia.

A Catedral de Piracicaba não possui mais sua cripta original. Por iniciativa de Mons. Jamil Nassif Abib, pároco da Catedral e de D. Fernando Mason, bispo da Diocese, este espaço fúnebre deixou de existir em abril deste ano, quando foram exumados os restos mortais de Mons. Manoel Francisco Rosa, morto em 07/06/1965 e de D. Aniger Francisco Maria Melillo, morto em 17/04/1985.

Construiu-se na nave principal, sepulturas e ossuários destinados aos bispos e á outros dignitários da diocese local. Foi perfeita e oportuna esta reforma no templo principal da diocese, pois assim as sepulturas ficam próximas de seus fiéis, que podem venerar seus mortos, prestando-lhes a homenagem da visita e da oração, antes impossível. O único senão fica por conta dos degraus em volta das sepulturas. O ideal seria que fossem rentes ao chão, como são nas antigas igrejas que abrigam seus mortos em seu solo sagrado. Recentemente assistimos o sepultamento do cardeal D. Eugenio Salles, na Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro, nestas condições, sendo a sepultura ao nível do chão.

O corpo do querido D. Eduardo Koaik foi colocado ao lado dos restos mortais de Mons. Rosa e de D. Aniger, que foram inumados neste local na quinta-feira santa, 04 de abril de 2012. Esta sepultura está entre os altares de Nossa Senhora de Fátima e do Imaculado Coração de Maria. Local perfeito, bonito e digno para o descanso do nosso querido pastor, que sob o olhar materno da Mãe de Deus e nossa, aguarda a ressurreição. C om certeza está feliz, caso seja possível este sentimento no paraíso.

Resta-nos agora aguardar de Mons. Jamil, historiador e nosso confrade no Instituto Histórico, que se anime á requisitar á Arquidiocese de São Paulo os restos mortais de D. Ernesto de Paula, primeiro bispo, construtor da catedral e fundador da diocese, que está sepultado na cripta da Catedral da Sé. Seria uma homenagem justa ao nosso primeiro bispo e á história da Diocese de Piracicaba. Com certeza, todo o povo católico de Piracicaba, faria uma comovente recepção ao venerando bispo que renunciou ao governo da diocese em 1960, por problemas de saúde.

Consta que foi por vontade própria, expressa em testamento, que D. Ernesto de Paula, foi sepultado em São Paulo, na cripta da Sé. Ele faleceu em 31 de dezembro de 1994 aos 95 anos. Quem sabe agora, após quase 20 anos de sua morte, seja possível esta transferência que será um marco na história da igreja local.

(Claudinei Pollesel, do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba).


COMENTÁRIO DE DOM FERNANDO MASON, BISPO DE PIRACICABA:
Prezado Sr. Claudinei


Considero o texto ponderado e oportuno, pois os jornalistas insistiram com a tal de cripta; se vê que não sabem o é cripta. Fico contente também em saber que o Sr. Achou oportuna a mudança. Quando ao degrau, é para evitar que alguém pise encima da lápide; ainda haverá uma proteção entorno ao túmulo; Mons. Jamil está bolando a coisa, entre muitos outros afazeres e com os tempos que lhe são próprios!

Um abraço

Dom Fernando

COMENTÁRIO DE MONS. JAMIL NASSIF ABIB, VIGÁRIO GERAL E PÁROCO DA CATEDRAL:
Meu caro Claudinei,

grato pela atenção do envio da matéria sobre D. Eduardo.

Há algum tempo, D. Eduardo - embora nos surpreendendo com a sua resitância - vinha nos oferecendo um quadro de saúde extremamente precário.

Dentre os cuidados que mereceu e que não lhe faltaram - indeclinávelmente o assunto da cripta da Catedral vinha à tona.

O projeto de Benedito Calixto de Jesus Neto ( o mesmo da Basilica de Aparecida) não previu nem a cripta e nem outrras dependêcias que foram se mostrando necessárias ao longo do tempo.

Intervenções do próprio D. Ernesto, no seguir das obras (ex: altura da pia batismal - 1954) - construção da cripta (1954) -

como dos pósteros bispos e párocos, (salão, salas de atendimento, secretaria, ventiladores, iluminação, som, orgão interferiram no projeto - alguns para melhorar: orgão - supressão da escada de acesso aos andares superiores, na parte extrerna - instalações da Cúria Diocesana, etc. Outras intervenções, entretanto, não foram tão felizes, ao olhar de hoje . Razões? falta de recursos, soluções provisórias ou improvisadas, etc Exemplo: implantaçãoi da secretaria (1969) - a pintura das paredes internas (1971) - a substituição das luminárias de vidro por lampadas fluorescentes (1975) - a diminuição do espaço da sacristia para a substituição de anexos (1979) - a substituição das luminárias de vidro por lampadas fluorescentes (1975), etc.

O espaço existente dificulta um projeto harmônico que contemple a conservação do patrimônio histórico que é a Catedral, como, tambem, as exigências litúrgicas atualizadas e as necessidades de funcionamento de uma sede paroquial.

A cripta resultou da divisão do grande salão inferior. Construiu-se uma capela, sem acesso direto para a rua ou para a nave da Catedral.

Não se vislumbrou outra solução para que a cripta lembrasse uma capela mortuária . Foi construida em 1954 . Em 1965, recebeu os despojos de Mons. Rosa e, posteriormente, de D. Aniger. Em julho de 1979, já se pensava em encontrar um lugar mais adequado para a cripta. Pensou-se em transferí-la "para o próprio corpo da igreja, aproveitando-se ou os altares laterais, como jazigos, ou a capela do Batismo, na entrada à esquerda" (Tombo V, 22v).

As mesmas alternativas, levantadas em 1979, mostraram-se inviáveis, quando, em 2007, tiveram início as conversas para a implantação de um projeto abrangente de recuperação da Catedral, ainda em andamentro.

A situação de saúde de D. Eduardo forçou a retomada do assunto da cripta.

Desde o episcopado de D. Eduardo, era seu desejo transferir para Piracicaba os despojos de D. Ernesto, primeiro bispo e construtor da Catedral. Repousam, ainda, na cripta da Catedral de São Paulo, ao lado dos bispos paulistanos, do Regente Feijó, do indio Tibiriçá, de Bartolomeu de Gusmão e outros. D. Fernando abraçou a causa que está esbarrando numa avalanche de exigências burocráticas.

Em agosto de 2012, D. Fernando aceitou a proposta de sepultamento dos despojos, ao longo das paredes laterais, no intervalo entre os altares. Nesse mês e no seguinte, ficaram prontos os jazigos. No dia 4 de abril deste ano, foram inumados os ossos de Mons. Rosa e D. Aniger nos novos jazigos.

A proposta primeira foi a de dar maior proximidade para o povo. A proposta segunda, foi a de destacar os jazigos, sem prejuducar muito a harmonia e a combinação dos elementos que compõem, atualmente, o espaço interno desse monumento piracicabano. A elevação em relação ao piso foi proposta por D. Fernando para ressaltar o elemento novo ali existente e, tambem, seguir o padrão dos degráus dos altares laterais.

Vão ai algumas referências não muito conhecidas.

Parabens pelo seu trabalho

Meu abraço,

Mons. Jamil




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